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267 anos de gaiola pombalina

A Gaiola Pombalina é um elemento de construção estrutural tipicamente português, composta por elementos de madeira verticais, horizontais e diagonais (a chamada estrutura em forma cruzes de Santo André), que garante uma boa capacidade de resistência à ação sísmica.







Estamos a chegar ao primeiro dia de Novembro, dia de Todos os Santos quando. Há 267 anos, a cidade de Lisboa acordava para um dia que lhe viria a mudar a história e o traço urbanístico, mudando também a história da arquitetura e construção.


Sendo precisamente Dia de Todos os Santos, a madrugada chegava com muitas pessoas a deslocarem-se às igrejas, para acender velas e rezar pelos seus antepassados.


Mas algo mudou. O chão começou a tremer, abalando as paredes das casas e dessas igrejas, destruindo a cidade e a vida de muitas pessoas. A destruição não ficou por aí, pois seguiu-se um violento incêndio - não apenas pelo fogo ser a única forma de iluminar, mas precisamente pelas velas já acesas pelos mortos. A destruição, mais uma vez, não ficou por aí, pois seguiu-se um voraz tsunami, com o rio Tejo a invadir a cidade sem dó nem piedade.


Esta é a base de onde parte a reconstrução da cidade de Lisboa, e de onde nasce a famosa baixa pombalina, um projeto urbanístico clássico do século XVIII, com ruas direitas, mais largas, mais luminosas e com um traço mais imponente e organizado.


É deste processo de renascimento urbanístico de Lisboa, liderado pelo Marquês de Pombal, e um dos maiores desafios para a engenharia e arquitetura portuguesa, que surge a famosa Gaiola Pombalina, reconhecida por ser o primeiro elemento antissísmico da construção a nível mundial.


A Gaiola Pombalina é um elemento de construção estrutural tipicamente português, composta por elementos de madeira verticais, horizontais e diagonais (a chamada estrutura em forma cruzes de Santo André), que garante uma boa capacidade de resistência à ação sísmica.


É possível que a Gaiola Pombalina tenha aparecido antes desta altura, principalmente nos países nórdicos, onde a madeira é o material utilizado por excelência na construção. Mas não deixa de ter características e utilizações concretas criadas em Portugal.


Esta estrutura em cruz, e feita a partir de madeira, tem um excelente comportamento sísmico que, ao ser preenchida com alvenaria, tem uma resistência adicional. Os edifícios originais da atual baixa pombalina em Lisboa têm esta estrutura.


A sua criação e utilização é de tal forma eficaz e visionária, que o sistema que lhe dá suporte foi utilizado na construção civil e na arquitetura, até ao final da primeira metade do século XX. São mais de 200 anos de utilização de uma técnica de construção altamente visionária. Ainda hoje é usada, de facto, mas com recurso a outros materiais mais atuais.


Hoje, somos recordados desta grande inovação, pois na reconstrução e reabilitação dos edifícios originais da baixa pombalina, é muito comum ver-se expostas secções de gaiolas pombalinas, para um efeito estético e decorativo. Uma homenagem histórica a uma inovação sem igual nesta área que acompanhamos e que agora assinalamos.


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